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Pão, Milho e Petróleo, uma Receita Explosiva para Kadhafi, Obama e a Imprensa
Pão, Milho e Petróleo, uma Receita Explosiva para Kadhafi, Obama e a Imprensa
Pão, Milho e Petróleo, uma Receita Explosiva para Kadhafi, Obama e a Imprensa
A globalização é, na verdade, uma ferramenta conceitual do mercado. O mercado é, na verdade, uma ferramenta da classe dominante. E a classe dominante, hoje em dia, é, na verdade, um conglomerado financeiro que determina o que, e como, mercadorias serão colocadas à venda para o consumidor, até mesmo na padaria do português da esquina ou no boteco daquele cearense arretado.
Assim é que a globalização pode ser traduzida por uma pasteurização da antropologia das civilizações, ou seja, os vários arranjos culturais que existem no mundo vão sucumbindo a um arranjo cultural monotonal: literatura, música, moda, livros didáticos, estética... enfim, tudo passa a ser mais ou menos igual. E até mesmo, infelizmente, a imprensa.
Pois bem, aqui reside um grande problema, pois o princípio do contraditório na imprensa está sumindo. Na televisão já praticamente desapareceu, o telejornal de maior audiência no Brasil, o Jornal Nacional, não informa o contraditório da notícia em nenhum momento. Na verdade a Globo informa o contraditório apenas em seu canal de televisão à cabo, a Globo News, no programa Em Cima da Hora, e apenas em algumas edições, mas, mesmo assim, já um pouco adocicado pela retórica da globalização.
No pouco espaço que me resta, gostaria de falar um pouco sobre o contraditório da questão na Líbia. O petróleo é o que torna os países daquela região interessantes para o mundo, não fosse o petróleo suas questões seriam tratadas como é questão do Haiti, fogo de palha em algum momento simbólico e, depois, eles que se virem à própria sorte. A história daquele conflito tem razões religiosas, é verdade, mas foi o interesse comercial nas riquezas minerais que levou o mundo ocidental, historicamente, a influenciar diretamente no conflito, com isso buscou sempre manter sua hegemonia regional. Isto se dá desde o tempo das colônias britânicas, francesas, belgas, portuguesas, e etc., até os dias de hoje, com acordos de paz fraudulentos e traiçoeiros firmados a golpe de interesses particulares pela mão dos Estados Unidos da América. Foi assim desde o acordo de paz em Camp David, um acordo entre Egito e Israel patrocinado pelo então presidente Jimmy Carter em sua residência de verão nos E.U.A.
Ali, naquele acordo, Anwar-al-Sadat estava traindo a causa palestina, os E.U.A. estavam alimentando seu grande aliado, Israel, e a causa árabe (ou a sua antropologia) estava ruindo. Neste cenário os Estados Unidos conseguiram calar a mais influente liderança árabe na região, o povo egípcio, e com isso abrandar o fervor islâmico que se desenhava. Assim passaram a apoiar todas estas “ditaduras” que hoje eles acusam como se nunca os houvesse apoiado.
É bem verdade que na Líbia foi um pouco mais complicado, Kadhafi tinha fortes ligações com a causa árabe, e ainda possuía um discurso anti-capitalista fervoroso, dobrá-lo custou um pouco mais de tempo, mas ele foi dobrado.
O que vemos agora é fruto desta política americano-britânica-judaico-ocidental. Ou seja, uma pasteurização da causa árabe a níveis controláveis do conflito, pois mantiveram os palestinos desarmados, pobres, e com níveis rudimentares de ensino, enquanto estimulavam a corrupção para o enriquecimento dos governantes daquela região. É por isso que já estão bloqueando os seus bens, afinal ninguém mais do que eles, corruptores ativos, sabem onde estão as riquezas daqueles que corrompiam.
Para finalizar, o que está levando a estes conflitos no mundo árabe é fruto, portanto, do método de dominação capitalista, qual seja: manter o povo pobre e sem educação, e corromper os seus dirigentes. Esta equação produziu um elemento explosivo, pois o preço da comida, os cereais, na verdade, subiram estratosfericamente no mundo, enquanto a renda do povo diminuía, e a dos governantes crescia. Com fome qualquer um parte pra guerra, é assim no mundo animal, e foi assim na revolução francesa.
Fidel Castro, em seus ensaios, tem combatido de forma veemente os Estados Unidos pelo uso do milho para produzir álcool combustível, de forma direta ele insiste que o mercado não pode condenar o mundo à carestia por conta de usar comida para mover máquinas.
Enfim, depois de todos estes problemas agora falam em democracia, como se votar para presidente fosse uma mágica que resolvesse todos os problemas da pobreza e da subtração histórica da dignidade. Não é verdade, este modelo de democracia sujeita a população pobre (grande maioria do povo) a ser fortemente influenciada por propaganda e dinheiro. E quem tem dinheiro para comprar votos e fazer propaganda são os mesmos que ontem apoiaram estas ditaduras, e hoje apóiam suas quedas.
O que espero que aconteça é que rechacemos de vez a participação dos Estados Unidos no mundo árabe, que não acreditemos nas intenções de Hillary e Obama, que rediscutamos o mercado, e que eliminemos a gobalização. Sob pena de vermos a bandeira da humanidade, mais uma vez, ensangüentada e flagelada